segunda-feira, maio 25, 2009

frases

íxi troquinho me dá me dá

tem muita gente pra poucas pessoas

a mim parece uma cantada prosaica

quarta-feira, maio 20, 2009

Ivo e Lela

Ivo e Lela tomando cerveja as 0940h na lanchonete.

Ivo de óculos e Ana Valéria, a própria Mona Lisa, sorriem ante a minha incredulidade. Os dois não deram muito o ar da graça. Ivo desapareceu por completo. Mudou de escola. Lela passou a trabalhar durante o dia e assistir aulas durante a noite.

Um dia conheci seu irmão, então estudante da FAU, que tocava baixo no "Dum Dum Boys" - nome emprestado de uma letra do Iggy Pop.

A banda era punk, ainda que a natureza das letras não fosse anti-estabelecimento.

"Vou ter que tirar! Nascer nesta bosta de mundo, ai que bom afinal estou aqui, e daí se não tenho no bolso, nem dinheiro pra comprar um disco. Vou ter que tirar!". A guitarrista dobrando os vocais no refrão. Desta música não lembro o nome. Lembro mais de "Solidão":

"O taxi não parou
E a chuvai ca-ai.
O taxi não parou
E a chuva ca-a-ai sobre mim

Minhas botas estão encharcadas
E o coração úmido
De lágrimas
Lágrimá-á-ás

(...)
Eu vejo a rua
Este espelho quebrado
(...)
Apenas um reflexo, reflexo
Da solidão
Solidã-ã-ão"

Logo vi que a melancolia era de família. Ivo ao contrário era uma criatura mais solar. E segundo meu poema predileto; "como luz e sombra, devem um do outro emprestar". Yin e Yang.

Faloooooooou...
dddddd


quinta-feira, maio 14, 2009

A grande Renata Junqueira

Bem, já que estou embalado vou espremer aqui uma mini-postagem sobre aquela alma criativa que nos abençoou com muitas risadas. Sim, trata-se da Renata Junkie. Meu primeiro convívio com a dita cuja foi quando ela me agarrou - como foi belo aquele malho - na primeira festinha. Eu, com a cola ainda fresca no coração em cacos, achei aquilo uma excelente boavinda.

Porém, na segunda-feira seguinte, Renata se portou de maneira estranha, fria e distante. Achei tudo muito confuso.
Só vim a descobrir muitos anos depois - ela me levou a um bar gay para dar a notícia - que jogava mais regularmente no outro time e o lance da festinha foi só por distração.

Enfim, não deixei aquela petite nuvem obstruir o sol que brilhava de dentro. E aqui vou descrever uma cena que tenho certeza que todos lembram bem. A Renata estava fazendo uma apresentação em grupo no anfiteatro do primeiro andar, prédio principal. Ela arrumou um peruca meia ruiva, meio afro e ficou parecendo vocês sabem quem. Então escreve um parágrafo na lousa tipo:

"O modo pelo qual a produção material de uma sociedade é realizada constitui o fator determinante da organização política e das representações intelectuais de uma época."

E diz:

- O primeiro passo para fazer a análise crítica de um texto é sublinhar as palavras-chave - modo, produção, material, sociedade, fator, organização, política, representações, intelectuais e época.

Sublinhadas as palavras, no quadro negro tínhamos:

"O modo pelo qual a produção material de uma sociedade é realizada constitui o fator determinante da organização política e das representações intelectuais de uma época."

Ela prossegue:

- Agora, lemos o texto novamente, sublinhando as palavras-chave que não foram sublinhadas da primeira vez, estas são - pelo, qual, realizada, constitui e determinante.

"O modo pelo qual a produção material de uma sociedade é realizada constitui o fator determinante da organização política e das representações intelectuais de uma época."

- Finalmente fazemos uma terceira e última leitura crítica do texto sublinhando - O, a, de, uma, é, o, da, e, de, uma."

"O modo pelo qual a produção material de uma sociedade é realizada constitui o fator determinante da organização política e das representações intelectuais de uma época."

- Assim concluímos a leitura crítica do texto, com todas as palavras-chave sublinhadas.

Não sei se foi Melk ou Armandinho (ensaiado lembrem-se) que levanta a mão e pergunta:

- Professora, o "das" não é palavra-chave?

- Não, "das" não é palavra-chave.

Conclui de forma tão hilariante quanto arbitrária. Arbitrariedade enraivecedora na vida real.

***

Do Leme ao Pontaaaaaaal, do Leme ao Pontal, não há nada iguaaaaaaaaaaaal...

Beeeeeeijos

ddddd

quarta-feira, maio 13, 2009

O Diário do Gil Topete

1985. O ano começou bambo ao longo do esculhambódromo. Eu estava entre a primeira e segunda fase da Fuvest, sem muitas certezas, tendo escolhido o curso de Rádio e TV por exclusão. Já havendo cursado um semestre de Ciências Sociais na UNESP de Marília, seguido de um ano na História da USP.

O verão passava e eu não muito a fim de estudar. No último dia do exame da segunda fase, após uma noitada, acordei tarde e emprestei o fuscão da minha mãe. No caminho fumei a bagana remanescente da balada anterior. Cheguei na sala dez minutos atrasado mas o examinador foi misericordioso e me deixou entrar. Escrevi a redação e a boa alma que a corrigiu também me fez um grande favor visto que este exame tinha grande peso comparado com os outros. Na verdade eu sabia que (na época atribuia certa importância ao) meu bio-ritmo estava bem naquele dia. Após o exame e uma cerva, passei horas no fliperama com uma só ficha, ganhando todas. Isto raramente acontecia.

Mesmo assim mau acreditei quando alguns dias depois li meu nome na lista dos aprovados. Entrei na ECA. A ECA de Tadeu Jungle e Pedro Vieira. A ECA de Marcelo Rubens Paiva, de Lilian Witte Fibe além de Rita Lee, diziam as más línguas. Meu Deus com dê maiúsculo!

Passada a euforia inicial logo voltei aos maus hábitos e depois de mais uma batelada de burocracia estudantil me deparei com o primeiro amiguinho e este foi o Lusão. Ele estava lá entre o prédio principal e o departamento de jornalismo. Os caracóis em chamas, na tarde alaranjada, conversamos sobre Marília (Luso se recusava a dar bom ibope a cidade mãe) e compartilhamos a magia daquele instante, de jovens se atirando com fome de viver ao mundo, algo que como nascer, perder a virgindade e morrer, só se experimenta uma vez nesta vida, n'est pas?

Dei o meu adeus ao curso de História, na forma de uma aula trote entitulada "Macro História e Micro História" que lecionei para os calouros daquele departamento. Fui apresentado ao anfiteatro quase lotado pelo então jovem professor Nicolau Sevcenko, tão conceituado quão chegado numa peraltice - ele encheu a minha bola legal. Consegui dobrar los ainda que um bandeiroso do meu ano tenha aparecido de sunga, máscara, snorkel e pés de pato. Após terminar, sem não antes instigar naqueles otários a necessidade de sempre exercitarmos o senso crítico, flertei por breves instantes com os louros da glória, quando ao me encaminhar para o bar fui imediatamente abordado por duas calouras altas e bem apessoadas, interessadas em mais macro e micro histórias. Bem, como creio eu ser no fundo, no fundo, no fundo uma pessoa de boa índole, sem mais informei as ingênuas o ocorrido, após o qual se levantaram, me deram as costas e nunca mais me olharam na cara.

Mas isto já é milonga demais afinal esta milonga é sobre O Diário do Gil Topete.

Cheguei na RTV já fazendo alguns amigos e outros inimigos mas lá num canto, quieto e fumando seu hollywood, sentado neutro na janela estava o Gil. Após algumas semanas de convivência, a Juju e as cervejas nos aproximaram até o ponto em que eu passava no apê da vó dele - após o desligamento do Tancredo me mudei da Vila Madalena para Santa Cecília - na Avenida Higienópolis, para pegar uma carona no Chevette do Topete.

Invariavelmente era atendido pela avó, que me conduzia para o seu quarto - Gil na cama, semi-consciente, ligeiramente mau-humorado. Invariavelmente chegávamos atrasados, nas já para lá de avacalhadas aulas do básico. Não mentirei, a Bacega me ensinou uma coisa ou duas, mas isto é assunto para outra postagem.

Comecei a desconfiar que Gilberto ao contrário de mim, era um ser verdadeiramente amoral e não considerava minimamente prioritárias as incumbências discentes. Assim sendo, nas ocasiões em que o horário apresentava algo mais interessante, eu enfrentava o terror do Butantã-USP para ser pontual.

Ocorreu que um dia, durante o período matutino, no ano do senhor de 1985, eu estava parlando com a Juju quando apareceu não sei de onde, o diário do Gil Topete. Na verdade, naquele ponto da evolução, não sabíamos do que se tratava aquela agenda preta, mas como a natureza humana é xereta, logo descobrimos. Os dias - os impressos e os anotados, estavam fora de fase, mas logo vimos pelo padrão das entradas, em order crescente de data, que se tratava de um diário. A caligrafia, por conta do convívio, identificamos como a dele, e com olhos ávidos de curiosidade, começamos a varrer os fatos ali contidos. Estes, fazendo jus, eram mais prolíficos nos meses de férias, antecedendo o começo das aulas - quando os escritos foram tornando-se cada vez mais escassos, até morrerem abruptamente numa página em branco, a alma sem inspiração, a mão sem disposição para empurrar a caneta pelos meandros do tédio.

Tal qual Édipo descobrindo que havia matado o pai e desposado a mãe, grande foi minha surpresa quando constatei que o formato dos dias ali narrados era praticamente um só: "Acordei [na casa de não sei quem], peguei uma carona[até não sei aonde]. Fui para casa, fiz a barba. Fui para o Rose Bom Bom [não sei quem] estava de dj e entrei de graça. Depois no Madame Satã encontrei o guitarrista do [grupo tal] e o baterista da [outra banda]. Peguei uma carona para uma festa da [amiga do amigo da amiga]. Fiquei com [não sei quem]."

Nestas, Gil viveu em primeira pessoa a explosão musical da época. Ainda que um Rockabilly de carteirinha, ele viu de tudo, Legião no começo do começo - sua irmã Marcinha era boa amiga de Renato Russo, que sempre a telefonava, quando em São Paulo. Ira! Nazi sendo seu inimigo número um, ambos disputando o amor de Camila (não a da música). Enfim, tantas bandas cruzaram seu caminho pela noite Paulistana.

Infelizmente creio aqueles rascunhos estarem no mesmo local que a maior parte de minhas memórias. Mas lembro que o diário era gozado. Era a apoteóse do sex, drugs e rock and roll sem as drogas - Topete era mais chegado no cigarro e na birita.

E aqui termina o conto do diário do Gil Topete.

Não percam no próximo episódio... As pesquisas da Maria Aparecida Bacega, a não ser que algum outro(a) aventureiro(a) queira contar este causo.

Tomo guaraná, suco de cajú, goiabada para a sobremeeeeeeeesa...

ddddddd

sexta-feira, maio 08, 2009

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